Grupo de pesquisa
Faces e Referências do Republicanismo Popular

“Animai-vos, povo bahiense, que está para chegar o tempo feliz da nossa liberdade, o tempo em que todos seremos irmãos; o tempo em que todos seremos iguais.”

Nosso projeto

A Conjuração Baiana (1798), também conhecida como Revolta dos Búzios, frequentemente lembrada apenas como uma conspiração sufocada, foi o movimento social e político mais radical da história colonial brasileira por pautar a emancipação política, a igualdade racial, o fim da escravidão e a república. Compreender a Conjuração Baiana e seus desdobramentos ao longo do século XIX é fundamental para reconhecer como as classes subalternas atuaram criticamente na construção da cultura política brasileira, influenciando lutas sociais subsequentes e o pensamento democrático no país.

Partindo dessa compreensão, o FACES (Faces e Referências do Republicanismo Popular, grupo de pesquisa vinculado ao Centro de Formação em Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal do Sul da Bahia) tem como objetivo central investigar e difundir a história do republicanismo popular na Bahia e no Brasil. Para isso, este site foi concebido como um espaço de História Pública e Divulgação Científica, aproximando a pesquisa acadêmica rigorosa de estudantes, professores e pesquisadores da sociedade.

Nossos pesquisadores

Rodrigo Oliveira Fonseca

Coordenador Rodrigo Oliveira Fonseca

Historiador e analista do discurso, professor da UFSB na Licenciatura em História e coordenador do projeto Faces e Referências do Republicanismo Popular desde 2024.

Raquel Oliveira da Silva

Pesquisadora IC Raquel Oliveira da Silva

Licencianda em História na UFSB, responsável pela pesquisa Hermógenes e as forças armadas baianas nos séculos XVIII e XIX, bolsista da Fapesb.

Maysa Costa de Oliveira

Pesquisadora IC Maysa Costa de Oliveira

Licencianda em História na UFSB, responsável pela pesquisa Hermógenes e a libertinagem em fins do século XVIII.

Rafael dos Santos Amorim

Pesquisador IC Rafael dos Santos Amorim

Licenciando em História na UFSB, responsável pela pesquisa Caminhos e descaminhos de militares implicados na Conjuração Baiana.

Elvis Silva Alves Cruz

Pesquisador IC Elvis Silva Alves Cruz

Licenciando em História na UFSB, responsável pela pesquisa Cipriano Barata, antirracismo e antiescravismo nas décadas de 1820 e 1830 no Brasil, bolsista Fapesb.

Vitor de Jesus dos Santos

Pesquisador IC Vitor de Jesus dos Santos (Cirilo)

Bacharelando em Gestão Pública e Social, responsável pela pesquisa Luís Gama e os laços indissolúveis entre republicanismo popular e abolicionismo no Brasil, bolsista UFSB.

Marco Morel

Pesquisador Colaborador Marco Morel

Historiador, professor aposentado da UERJ, pesquisador renomado da vida e obra de Cipriano Barata, autor de diversos livros como O dia em que Napoleão quis invadir o Brasil (2024), A saga dos botocudos (2018), A revolução do Haiti e o Brasil escravista (2017), e As transformações dos espaços públicos (2005).

Alguns dos personagens principais da conjuração

Hermógenes Francisco de Aguilar Pantoja

Hermógenes Francisco de Aguilar Pantoja

Tenente do 2º regimento, foi uma figura central popularizando as ideias iluministas e chefe militar da Conjuração Baiana.

Lucas Dantas

Lucas Dantas

Sujeito alforriado, marceneiro, soldado da artilharia, difusor das ideias revolucionárias.

Manuel Faustino

Manuel Faustino

Sujeito alforriado, aprendiz de alfaiate, um dos revolucionários mais engajados na busca de aderentes ao levante republicano.

Luiz Gonzaga

Luiz Gonzaga

Soldado do 2º regimento (do qual vivia desertando), sujeito estudioso, foi quem escreveu os cartazes revolucionários difundidos em 12 de agosto de 1798.

João de Deus

João de Deus

Mestre alfaiate, era um dos revolucionários mais entusiasmados com o projeto republicano, a ponto de fazer e vestir roupas francesas.

Cipriano Barata

Cipriano Barata

Lavrador, cirurgião e difusor das ideias igualitárias francesas, posteriormente foi deputado nas cortes constitucionais de Lisboa, de onde teve de sair fugido.

Francisco Agostinho Gomes

Francisco Agostinho Gomes

Herdeiro de uma das maiores fortunas da Bahia, ajudou a difundir ideias republicanas, a despeito das reprimendas que recebia, mas, como outros, fugiu quando a repressão apertou.

Poucos sabem que...

Uniformes do Exército Brasileiro

Um conspirador de 1798 morreu defendendo o absolutismo?

O tenente Hermógenes Pantoja era fascinado pelas "francesias", ideias iluministas que transformavam militares coloniais em intelectuais rebeldes.

Condenado a um ano de prisão por seu envolvimento na Conjuração Baiana, ele acabou solto em 1800 e teve todos os soldos atrasados restituídos. A grande ironia de sua história veio anos depois, nas lutas contra o absolutismo e a tirania que antecederam a Guerra pela Independência na Bahia (1822-1823). Hermógenes morreu em fevereiro de 1821 tentando reprimir um levante democrático e constitucionalista coordenado por antigos aliados seus da conjuração de 1798. Antilusitano radical, ele não admitia a adesão a um movimento que tinha se iniciado em Portugal.

Em 1798, a Conjuração Baiana deu voz aos militares de baixa patente, sufocados por baixos salários e problemas de ascensão na carreira, em particular os militares pardos. Além de exigir o aumento dos soldos, o movimento defendeu que militares brancos, pardos e pretos participassem juntos da luta pela liberdade popular.

Em 1798, a Conjuração Baiana teve protagonismo de soldados que liam obras iluministas e espalhavam o debate lendo notícias da França e declamando versos revolucionários em voz alta em quartéis, nas rondas, em oficinas de alfaiataria e domicílios. Essa forte atuação política fez com que vários militares aderissem ao movimento, mas apenas dois deles foram executados, Luís Gonzaga e Lucas Dantas, junto a dois alfaiates, João de Deus e Manuel Faustino. Todos os quatro pardos.

(Raquel Oliveira da Silva)

Ideias que abalaram a ordem

A Conjuração Baiana misturou crítica religiosa, ideias iluministas e reivindicações sociais. Figuras como Hermógenes foram fundamentais na disseminação desse movimento junto aos soldados e segmentos populares, além de ter negociado o apoio da França à revolução projetada na Bahia.

Cena histórica de mobilização popular
O dia da nossa revolução, da nossa liberdade e da nossa felicidade está para chegar (...) animai-vos que sereis felizes para sempre.

No final do século XVIII, ideias iluministas como razão, igualdade e crítica à autoridade circularam entre soldados, artesãos e intelectuais na Bahia, alimentando a Conjuração Baiana. Esses discursos questionavam privilégios e defendiam participação política mais ampla. Hoje, debates sobre desigualdade, representação e transparência também ocupam o espaço público, mas acontecem em um contexto de comunicação instantânea, instituições democráticas formais e maior diversidade de atores sociais.

Por que isso importa?

Comparar os dois momentos ajuda a entender como ideias se difundem e como formas de participação mudaram dos pasquins e das conversas em tabernas às redes sociais e movimentos organizados.

(Maysa Costa de Oliveira)

A Conjuração Baiana também vive na literatura

Conjuração Baiana na literatura - quatro romances

A Conjuração Baiana não vive apenas nos documentos e na história.
Ela inspira escritores, desperta perguntas e resgata vozes que o tempo tentou silenciar.

(Tatiane dos Santos Novaes Costa)

Nossa jornada

Reunião de agosto de 2025
Apresentação em pôster
ANPUH-2025
Prof. Rodrigo e Prof. Marco
Raquel Oliveira no Arquivo Histórico do Exército
ANPUH - 2025
Davi Medina apresentando
na TV Porto